terça-feira, 6 de maio de 2014

O outro lado do jogo

A pouco mais de um mês para o início da Copa do Mundo no Brasil, fala-se sobre tudo o que envolve o Mundial: infraestrutura, estádios, ingressos, convocações… e também sobre os erros e acertos dos dirigentes na organização do maior evento esportivo do mundo.





Embora em 2014 celebremos a realização da segunda Copa no País, também lembramos as marcas dos 50 anos do Golpe Civil-Militar de 1964. Nem todo mundo enxerga a ligação entre um tema e outro. Para muita gente o futebol continua sendo visto como apenas “pão e circo”, “ópio do povo”, “instrumento de manipulação das massas” etc.

Não há como negar que o esporte mais globalizado e praticado mundialmente tem, sim, essas características. O que também não podemos esquecer é que política e futebol sempre caminharam juntos, desde que o esporte teve suas regras normatizadas na Inglaterra, divulgadas e aceitas em todos os continentes.

O poder aglutinador do futebol não só conquistou torcedores, como também políticos interessados em usar a expressão vencedora desse esporte como escudo ou espelho para lidar com a massa e, assim, implantar dogmas e ideologias, na maioria das vezes prejudiciais às populações dos países em questão, mas bastante lucrativas em diversos aspectos para os governantes.

Pensando em todos esses aspectos que permeiam o futebol foi que nasceu o projeto da exposição “Política F.C. – o futebol na ditadura”, que entra em cartaz no Memorial da Resistência de São Paulo no dia 14 de junho.

A proposta é apresentar ao torcedor brasileiro e de todos os países presentes na Copa de 2014 o outro lado da moeda de momentos importantes da história nacional e do mundo, em que futebol e política se misturam – para o bem e para o mal.

O foco principal é mostrar como a ditadura de 1964 utilizou a imagem da Seleção Brasileira, especialmente na Copa de 1970, para vender aos brasileiros e ao resto do mundo a falsa ideia de que o Brasil estava se transformando numa potência dentro e fora dos gramados.

Partindo dessa premissa, buscamos apresentar também como os militantes da esquerda – ora clandestinos, presos ou exilados – lidaram com o uso do escrete pela ditadura, uma vez que o futebol, tão arraigado à identidade nacional do brasileiro, dividia as atenções em pé de igualdade com a luta política naquele momento.

Para quem não sabe, o Memorial da Resistência está localizado no prédio onde funcionou de 1943 a 1988 o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops), um dos principais centros de detenção política e tortura do País na ditadura do Estado Novo (1937-1945) e na de 1964, o que o torna ainda mais representativo ao abrigar uma exposição com este tema.

Os visitantes acompanharão como o futebol foi utilizado pelo regime militar no Brasil durante os 21 anos da ditadura. E também conhecerão personagens que ousaram bater de frente com os donos do poder em nome de ideias de liberdade e democracia, bem como aqueles que acabaram se aliando aos militares, engrossando as fileiras de torturadores.

Também será possível ver como ao longo dos anos os regimes de exceção se apropriaram deste esporte para fazer valer suas ideologias. Nos quatro cantos do mundo isso aconteceu, embora nem sempre se faça a ligação entre futebol e política.

Assim, este blog trará textos com detalhes sobre os temas que estarão na mostra, aguçando a curiosidade do público para histórias pouco divulgadas.

Convidamos você a entrar neste túnel do tempo para uma visita ao passado, em que o futebol de sonhos e o tempo de trevas na políticas se misturaram, causando sentimentos completamente distintos de amor e ódio. 

Equipe:

Vanessa Gonçalves - coordenadora
Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (UNESP), 34 anos, subeditora do Portal IMPRENSA. Pós-graduada em jornalismo esportivo e negócios do esporte, atuou sete anos como redatora, editando revistas e materiais publicitários. Diretora do Núcleo de Preservação da Memória Política, é autora do livro “Eduardo Leite Bacuri”, biografia de um militante morto pela ditadura em 1970. Atua com temas de direitos humanos há 10 anos.


Milton Bellintani - coordenador
Jornalista e professor universitário, 54 anos, foi editor de diversas publicações da Editora Abril de 1987 a 2001, entre elas Placar, e editor adjunto do caderno Cotidiano, da Folha de S.Paulo, em 2002. Cobriu a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Atua com temas de direitos humanos há mais de 30 anos, com foco na verdade, memória e justiça. É diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política, coordenador da Comissão da Verdade do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, em que atua voluntariamente, e diretor-executivo da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo. Coordena o curso de complementação universitária Descobrir São Paulo - Descobrir-se Repórter, do Projeto Repórter do Futuro e foi ombudsman do Contraponto – jornal-laboratório do curso de jornalismo da PUC/SP (2012-2013). De 2005 a 2008 atuou no Terceiro Setor, em projetos de comunicação da Fundação Kellogg para a América Latina e o Caribe a da CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas. Desenvolve, ainda, projetos editoriais voltados à inclusão de pessoas com deficiência desde 2005. 

Amanda Macedo Fernandes - pesquisadora
Historiadora, integrante do LUDENS (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre Futebol e Modalidades Lúdicas da USP) desde 2012. Participou do projeto "Brasil na Arquibancada", "Memória de Boleiros" e "Tabu: Homossexualidade no futebol". Entre 2009 /2013 atuou como pesquisadora do projeto "Arquivo Virtual Sobre Holocausto e Antissemitismo" (Arqshoah - LEER/USP) - Fapesp. Desenvolveu projeto de Iniciação Científica durante o ano de 2005 na área de Antropologia, junto ao projeto "Arundu Porã". Em 2005/2006, foi estagiária do Arquivo Técnico e Documental no acervo do Memorial do imigrante "Os novos Imigrantes" – Fapesp.

Thiago Kater – pesquisador
Bacharel e licenciado em História pela Universidade de São Paulo (USP), cursa graduação em Letras – Habilitação Árabe – pela mesma universidade. Desde 2012 integra, como pesquisador, o LUDENS (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre Futebol e Modalidades Lúdicas da USP) onde realiza, além das pesquisas sobre futebol, um projeto sobre a história do rugby no Brasil. É membro da Comissão do Centenário do Esporte Clube Taubaté e participa do Laboratório de Arqueologia dos Trópicos (ARQUEOTROP) do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, atuando com curadoria e análise de material arqueológico proveniente da Amazônia.


Thomaz Lemmi Di Natale - pesquisador
Jornalista, formado pela Faculdade Cásper Líbero, está terminando o curso de História na Universidade de São Paulo (USP). Sempre esteve ligado a temas como futebol e opressão das ditaduras. Pesquisou e estudou as influências do holocausto na cultura brasileira, verificando o processo de refugiados judeus no Brasil. Escreveu sobre a evolução tática no futebol brasileiro. Trabalhou com blogs dos mais variados temas. Atualmente é educador no Museu do Futebol e pesquisa o tema de opressão e preconceito ante negros e povos indígenas.




SERVIÇO:
“Política F.C. – o futebol da ditadura”
Data: 14 de junho a 30 de setembro (terça-feira a domingo, das 10h às 18h)
Endereço: Largo General Osório, 66 - São Paulo, SP
Entrada: gratuita



Um comentário:

  1. Tudo é válido pra mostrar o período mais nefasto da historia desse pais, militares e civis covardes nos tiraram liberdade e alegria, animais, entrem pra historia como assassinos e torturadores.

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